13/03/2019 AMAZÔNIA

Cocô das antas na regeneração de áreas

Segundo um novo estudo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), as antas são animais importantes para a regeneração de florestas degradadas na Amazônia, especialmente por andar, comer e fazer muito cocô nas áreas com vegetação menos densa. 
 
Os pesquisadores constataram que na Fazenda Tanguro, em Mato Grosso, onde coletaram amostras de cocô, além de vídeos dos animais, quase 130 mil sementes retiradas de 163 amostras espalhadas em 150 hectares foram catalogadas em 24 espécies. Mas a principal contribuição das antas na regeneração, além de seu apetite voraz e do cardápio diversificado, foi a preferência por florestas degradadas para depositar as fezes. Em florestas com queimadas anuais, os cientistas calcularam cerca de 11 mil sementes por hectare/ano, enquanto na área com queimadas a cada três anos a relação era de 8.587 sementes por ha/ano e, na floresta intocada, de somente 2.950 sementes por ha/ano. “Mas, quando se trata de frutos consumidos, que é o que interessa para dispersão de sementes, vimos que elas dispersam mais as espécies de estágios tardios da sucessão. Resumindo, elas têm um papel importante tanto na dispersão de espécies iniciais quanto tardias, contribuindo para o processo de regeneração como um todo”, explica o ecólogo Lucas Paolucci, principal autor do artigo científico publicado pela revista Biotropica. “Os macacos dispersam até mais espécies e em maior quantidade. Mas as antas conseguem dispersar sementes maiores e em florestas degradadas, além de passar por áreas com pasto e plantações, o que os macacos não fazem. Isso permite o fluxo de espécies entre florestas fragmentadas.”
 
As antas são animais herbívoros que podem chegar a pesar 300 kg e são os últimos representantes da megafauna na Amazônia, grupo de grandes animais cuja maioria foi extinta no fim do Pleistoceno (época geológica que se estendeu de 1,8 milhão a 11 mil anos atrás), como o mamute e a preguiça-gigante. A boca avantajada também ajuda a espalhar sementes maiores do que a d outros animais. 
 
Os cientistas não encontraram quatro das espécies catalogadas nos 150 hectares onde trabalharam o que, segundo eles, mostra capacidade de deslocamento das antas. Elas se movimentam até 20 km em linha reta, e ocupam uma área entre 220 a 470 hectare. “Independentemente de onde vieram, essas sementes contribuem para o aumento da diversidade das áreas degradadas”, diz Paolucci.