20/05/2019 BIOENERGIA

Geração com palha da cana-de-açúcar

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) estudam a emissão de compostos clorados da palha da cana-de-açúcar durante a combustão, gaseificação e pirólise da palha de cana-de-açúcar. O objetivo é aproveitar o potencial da palha da cana para geração de energia similar ao do bagaço. Hoje em dia, o destino da palha da cana é o descarte no campo de colheita ou a queima.
 
Apesar do conteúdo energético similar ao do bagaço, a palha da planta apresenta um teor de cloro entre 0,1% e 0,7% de sua composição, contra apenas 0,02% do bagaço. Esse teor elevado pode propiciar a formação do ácido clorídrico (HCl), por exemplo, e corroer as tubulações de vapor utilizadas durante a combustão. “Além disso, a combustão também pode gerar a emissão de poluentes atmosféricos como gases ácidos, dioxinas e furanos”, explica Ademar Hakuo Ushima, pesquisador do Laboratório de Engenharia Térmica do IPT.
 
O IPT instalou dois equipamentos em escala laboratorial que avaliam o rendimento energético e também a emissão de poluentes gerada nos processos de pirólise, combustão e gaseificação em resíduos agrícolas. Através desses equipamentos e com a compreensão dos mecanismos de formação de produtos clorados no reaproveitamento da palha de cana-de-açúcar, os pesquisadores esperam encontrar soluções para os problemas de corrosão intensa observados nos reatores e nos sistemas de limpeza de gases que utilizam esse tipo de matéria-prima. “O objetivo é dar suporte técnico ao setor sucro-alcooleiro do estado e desenvolver novas tecnologias para o aproveitamento energético de resíduos”, finaliza o pesquisador.

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