22/02/2018 AMAZÔNIA

Recuperação de floresta gera lucro

Um estudo inédito realizado pela parceria Público-Privada (PPP) entre a Embrapa Amazônia Oriental e pelo Grupo madeireiro Arboris acompanhou um ciclo alternativo completo de plantio e corte de paricá (Schizolobium parahyba var. amazonicum), uma espécie de árvore nativa da Amazônia, no enriquecimento de clareiras em florestas degradadas e com pouca ou baixa produtividade no Pará. O estudo mostrou que é possível lucrar com a regeneração florestal com baixo investimento de olho nos próximos ciclos de corte em manejo sustentável madeireiro. A pesquisa aconteceu durante período de 13 anos, entre 1995 e 2008, na fazenda Shet, localizada no Município de Dom Eliseu, nordeste paraense, distante cerca de 450 km de Belém (PA). Segundo o estudo, a metodologia de plantio pode ser aplicada em mais de 19 milhões de hectares de florestas, em diversos níveis de degradação, existentes no estado. 
 
O estudo revelou que o enriquecimento de clareiras – áreas abertas em florestas - , seja por desflorestamento, manejo ou mesmo natural por meio de quedas e incêndios florestais, tem potencial de produtividade e lucratividade, além de aumentar as chances de conservação de florestas degradadas na Amazônia, conforme analisou o pesquisador Gustavo Schwartz, um dos responsáveis pelo trabalho. De acordo com o cientista, o objetivo do estudo foi avaliar a produtividade e a rentabilidade financeira do plantio para o enriquecimento em florestas degradadas. O paricá foi a espécie escolhida por ser nativa da região, apresentar rápido crescimento e ser de interesse da cadeia madeireira, em especial na indústria de laminados.
 
De dez mil sementes plantadas, cerca de três mil transformaram-se em árvores com diâmetro em torno de 25 centímetros após 13 anos, o que resultou em um acúmulo médio de três metros cúbicos (m3) por hectare/ano. “Considerando o uso da madeira de paricá para fins de laminação, o lucro, em valores atualizados, foi estimado em R$ 16.862,84/ha na área plantada e de R$ 12.380,86/ha na área não plantada. A diferença de R$ 4.481,98/ha equivale a um lucro 36,20% maior para a área com plantio de paricá em clareiras”, detalhou o pesquisador Gustavo Schwartz. 
 
Um estudo inédito pode abrir caminho para gerar ativos financeiros em uma área de 19 milhões de hectares, somente no Estado do Pará, conforme avaliam os autores da pesquisa. Gustavo Schwartz avalia que essa significativa extensão territorial tem um enorme passivo que pode ser revertido em desenvolvimento econômico e também ambiental e que estudos como o realizado pela Embrapa e o grupo Arboris servem para evidenciar novas possibilidades produtivas na floresta e abrir diálogo com a legislação para a previsão, ainda inexistente, de manejo florestal sustentável em florestas antropizadas (modificadas pela ação humana), em diversos graus de degradação.

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