19/01/2018 VIDA MARINHA

Vírus mata 170 botos-cinza no RJ

Segundo levantamento realizado pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (MAQUA/UERJ) e o Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (LAPCOM/FMVZ/USP), 170 botos-cinza morreram nas baías de Ilha Grande e de Sepetiba, no Rio de Janeiro, desde o final de novembro de 2017. 
 
Os pesquisadores revelam que uma das causas da mortandade é o surto de uma doença chamada morbilivirose dos cetáceos. O morbilivírus é o gênero de um vírus da família Paramyxoviridae, mas não é transmitido para o ser humano. Os fatores que contribuíram para o início do surto ainda são desconhecidos e estão sendo investigados.
 
O morbilivírus dos cetáceos atinge botos, golfinhos e baleias, afetando os pulmões, cérebro e o sistema imunológico dos animais. No Brasil, o vírus foi detectado em golfinhos da espécie boto-cinza (Sotalia guianensis). No momento não há como conter a disseminação do vírus, já que não há vacinas ou medicamentos antivirais disponíveis que possam ser administrados de forma eficaz em populações de golfinhos em vida livre. Outro ponto importante é que não haja aproximação de embarcações, já que golfinhos estão vulneráveis. Botos, baleias e golfinhos são protegidos por lei (PORTARIA Nº 117, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1996 - Proíbe a ação de molestamento de cetáceos em águas jurisdicionais brasileiras).