21/05/2015
ENERGIAS RENOVÁVEIS

Índia quer acordos de cooperação com o Brasil

Representações do Banco Mundial (BIRD) organizaram visita de uma comitiva do Governo da Índia e de empresas indianas de energia, como a Power Grid of India e a Solar Energy Corporation of India, à usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). Os indianos estão interessados em estabelecer uma cooperação na área de energias renováveis. O grupo fez uma visita técnica e assistiu a uma apresentação do superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, Cícero Bley, no Edifício da Produção.
Além de Itaipu, a comitiva visitou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), Operador Nacional do Sistema (ONS), entre outras instituições do setor elétrico brasileiro. “O principal interesse é ver como o Brasil integra fontes geradoras renováveis em sua matriz”, explicou Igor Andre Bastos Carneiro, consultor especialista em Transporte e Cooperação Sul-Sul do BIRD.

A Índia planeja instalar 100 mil MW de energia solar e 150 mil MW de hidroeletricidade nos próximos dez anos (o equivalente a mais de uma Itaipu, que tem 14 mil MW de capacidade instalada, por ano). “Além de saber como vocês fazem para ter confiabilidade no fornecimento de energia, temos um potencial relevante, de 60 GW, a ser explorado em cooperação com outros países, a exemplo do que brasileiros e paraguaios fizeram na Itaipu”, acrescentou Ashish Khanna, especialista-líder em Energia do BIRD na Índia. Apesar de trabalharem com biogás há muito mais tempo que os brasileiros, a comitiva indiana quis conhecer a geração de energia elétrica a partir do biogás produzido nas atividades agropecuárias. “Eles mostraram grande interesse no projeto do Ajuricaba (que atende a pequenos produtores rurais) e na agroenergia a partir de uma visão de geração distribuída”, explicou Bley.

O secretário-adjunto do Ministério de Energias Novas e Renováveis da Índia, Tarun Kapoor, se disse bastante impressionado com Itaipu. Ele, que já trabalhou em uma hidrelétrica de 1.500 MW de capacidade instalada, elogiou a forma como a empresa trabalha nas ações de manutenção de suas unidades geradoras e no desenvolvimento tecnológico. “Itaipu é estonteante”, resumiu. Ele também observou que, como a Índia tem o maior rebanho bovino do mundo, há um vasto campo para cooperação com a Itaipu para ampliar a produção de bioeletricidade naquele país. “Hoje, já contamos com uma capacidade instalada de 4 mil MW de eletricidade a partir de biogás, porém, apenas 60 MW são de geração distribuída”, acrescentou Kapoor.