27/04/2020
ÁGUAS RESIDUAIS

CSIRO detecta presença do SARS-CoV2

Pesquisadores da Universidade de Queensland (UQ), na Austrália, e da agência científica australiana CSIRO demonstraram a presença do SARS-CoV2, o vírus que causa a doença COVID-19, em águas residuais não tratadas na Austrália (esgoto). Um estudo de prova de conceito foi concluído ao usar amostras de águas residuais de duas estações de tratamento de águas residuais no sudeste de Queensland, representando populações que vivem na região de Brisbane. 

Pesquisadores da UQ e CSIRO descobriram fragmentos de RNA do SARS-CoV2 em esgoto não tratado que teria sido derramado no fluxo de águas residuais por pessoas infectadas com COVID-19. "Este é um grande desenvolvimento que permite a vigilância da propagação do vírus pelas comunidades australianas", disse o professor o diretor da Aliança para Ciências da Saúde Ambiental de Queensland da UQ, professor Kevin Thomas. Segundo o professor, o método validado foi desenvolvido com base em trabalhos de grupos de pesquisa na Holanda e nos Estados Unidos. 

O Ministro Federal da Saúde, Greg Hunt, disse: "O piloto de vigilância de águas residuais COVID-19 é extremamente encorajador e tem o potencial de fortalecer ainda mais a resposta da Austrália à pandemia global". "Um programa nacional com base neste trabalho poderia ser adicionado ao conjunto mais amplo de medidas que nosso governo pode usar na identificação e contenção do COVID-19". 

O diretor executivo da CSIRO, Dr. Larry Marshall, disse que o teste ajudaria a Austrália a gerenciar o COVID-19. "A esperança é que, eventualmente, seremos capazes de não apenas detectar as regiões geográficas onde o COVID-19 está presente, mas o número aproximado de pessoas infectadas - sem testar todos os indivíduos em um local. Isso dará ao público uma melhor noção de quão bem nós estamos contendo essa pandemia", afirmou Marshall. 

O diretor de ciências da terra e da água do CSIRO, Dr. Paul Bertsch, afirma que o projeto mostra capacidade australiana em fornecer dados oportunos de vigilância de águas residuais COVID-19. "Esses dados serão particularmente úteis para bacias hidrográficas com populações vulneráveis, onde os testes usando outros métodos podem não ser viáveis", disse Bertsch.

A equipe deseja compartilhar os novos conhecimentos e métodos para desenvolver uma colaboração nacional. "Espera-se que esta pesquisa reúna uma colaboração nacional de autoridades governamentais, empresas de saneamento, universidades e outras organizações de pesquisa e laboratórios comerciais", disse o professor Thomas. O professor disse que a pesquisa utilizou amostragem e análises sistemáticas de águas residuais para o SARS-CoV-2, usando uma abordagem padronizada e coordenada com base em métodos analíticos refinados. "As amostras de águas residuais foram analisadas em busca de fragmentos específicos de ácido nucleico do vírus usando a análise RT-PCR, que é usada para identificar um fragmento genético do SARS-CoV2", disse ele. "A presença de SARS-CoV2 em amostras específicas de águas residuais foi então confirmada usando técnicas de sequenciamento".

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