07/12/2020
AMAZÔNIA

Desmatamento chega a 11 mil km²

Segundo dados preliminares do Prodes, ferramenta de monitoramento por satélite do desmatamento na Amazônia legal do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a taxa de desmatamento na Amazônia cresceu pelo terceiro ano consecutivo na comparação com o ano anterior. Entre agosto de 2019 e julho de 2020, o INPE registrou na Amazônia 11.088 km² derrubados de floresta, ou 9,5% a mais do que foi observado no período anterior e é o número mais alto já registrado nos últimos 12 anos. A expectativa é que este número suba ainda mais na versão final no monitoramento, a ser liberada no primeiro semestre de 2021.

O vice-presidente da República e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Hamilton Mourão, disse que, assim como em 2019, 30% do desmatamento aconteceu em florestas públicas não destinadas, áreas que não foram ainda designadas para conservação ou uso privado e estão sob a tutela dos governos federal e estaduais. Até 2018, 23% dos quase 500 mil km2 de florestas não destinadas, aproximadamente 116 mil km2, estavam registrados irregularmente como de uso particular no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR). "As florestas públicas não destinadas devem ser preservadas, pois elas são fundamentais para manter o equilíbrio climático e hídrico da Amazônia. É urgente que o desmatamento ali seja interrompido e que essas áreas sejam protegidas", afirma o pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho, que estuda essas áreas. "Temos observado o crescimento do desmatamento nessas florestas públicas nos últimos anos, sem que ações efetivas sejam tomadas para coibir a invasão ilegal do erário e a dilapidação de um patrimônio público de todos os brasileiros."

Segundo o pesquisador do IPAM, boa parte das florestas não destinadas é voltada para a especulação imobiliária, com invasões frequentes para a atividade de novas grilagens. "As estratégias para controlar o desmatamento estão postas e testadas. É preciso colocar em curso ações de comando e controle para coibir a ilegalidade; destinar as florestas públicas para conservação, e assim tirá-las do mercado; e ao mesmo tempo estimular o bom uso das terras consolidadas e hoje abandonadas, onde é possível expandir as atividades agropecuárias", diz o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães. "Com investimento e planejamento, é possível acabar com o desmatamento na Amazônia."

Veja também

11/04/2021
AMAZÔNIA | Bioeconomia previne colapso futuro
07/04/2021
TERRAS INDÍGENAS | Os danos da grilagem e garimpo ilegal
08/02/2021
REFLORESTAMENTO | Empresa plantará 10 mil árvores na Amazônia
22/01/2021
MONITORAMENTO | Lançamento do Amazonia 1 é adiado
22/01/2021
ARTIGO - WWF International | Brasil entre os países que mais concentram desmatamento
11/01/2021
MEIO AMBIENTE | A pior média de áreas desmatadas
21/12/2020
BIOMAS | Grilagem avança desmatamento na Amazônia
18/12/2020
AMAZÔNIA | IPAM inaugura observatório virtual
07/12/2020
IBAMA | Autuações caem 42% e desmatamento cresce
23/11/2020
DESMATAMENTO | ONGs entram com ação no STF
09/11/2020
MATA ATLÂNTICA | Desmatamento nas bacias hidrográficas
25/10/2020
BENS DE CONSUMO | Brasileiros mais preocupados com desmatamento