25/10/2020
FERTILIZANTES

Melhor uso do Fósforo pode economizar R$ 20 bi

O departamento de Ciência do Solo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) tem como objetivo equilibrar o nível de fósforo (P) na lavoura a favor de uma produtividade atrelada à sustentabilidade agrícola. O professor Paulo Pavinato, do departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, disse que o fósforo é um dos nutrientes mais limitantes ao crescimento de plantas nos solos brasileiros. "Em geral, o problema não é a baixa concentração de fósforo no solo, mas a baixa disponibilidade do nutriente às plantas. Cerca de 70% do fósforo aplicado via fertilizantes (mineral ou orgânico) é acumulado no solo em formas pouco ou não acessíveis às plantas. Este nutriente acumulado ou residual é conhecido como “legacy P". 

Pavinato liderou estudo publicado na revista Scientific Reports do grupo Nature, onde ficou constatado que, desde os anos 1960, cerca de 33,4 milhões de toneladas de fósforo foram acumuladas nos solos agrícolas brasileiros. O estudo mostra que essa quantia representa um acúmulo de 1,6 milhões de toneladas do nutriente por ano nesta última década. Caso este ritmo seja mantido, serão mais de 100 milhões de toneladas acumuladas até 2050. 

Para os pesquisadores, a adoção de estratégias de manejo como calagem, sistema plantio direto com rotação de culturas, sistemas integrados, variedades melhoradas e inoculação de microorganismos solubilizadores de fósforo podem proporcionar melhor aproveitamento do nutriente acumulado no solo. "Ações nesse sentido poderiam gerar uma economia de fertilizantes fosfatados na ordem de US$ 20 bilhões nas próximas décadas. Estes números chamam a atenção, e ilustram o enorme potencial que ainda temos para tornar a agricultura brasileira ainda mais eficiente, rentável e sustentável", complementa o professor Maurício Cherubin, também do departamento de Ciência do Solo, um dos autores do estudo.

O artigo, intitulado Revealing soil legacy phosphorus to promote sustainable agriculture in Brazil, contou com a colaboração de pesquisadores da Bangor University – UK e pode ser acessado em https://www.nature.com/articles/s41598-020-72302-1. A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (#2017/04186-2).

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