08/09/2020
SANEAMENTO

Pátria capta R$ 10 bi e planeja entrar no setor

A gestora Pátria concluiu captação de R$ 10 bilhões para um fundo voltado exclusivamente para a área de infraestrutura e planeja suas primeiras investidas no mercado de saneamento básico no Brasil. “Muito provavelmente, [no novo fundo] haverá investimento em saneamento no Brasil. Agora, não tenho respostas sobre qual será, quando virá e em qual formato. Mas estamos nos preparando, montando time, avaliando todas as oportunidades”, afirma Otavio Castello Branco, sócio de infraestrutura do grupo. 

A expectativa é que as mudanças no mercado venham com o tempo. “Com a aprovação do novo marco, não vai acontecer uma avalanche de investimentos. Alguns governos estão se mexendo, mas é um processo que demora anos”. A privatização de empresas, como Sabesp e Copasa, não parecem tão próximas, segundo Felipe Pinto, também sócio de infraestrutura do Pátria. “É um caminho que conseguimos enxergar, mas não nos próximos 12 a 18 meses. Talvez vejamos antes empresas menores vindo a mercado, no Norte, Nordeste, Centro-Oeste”, diz ele.

O fundo de R$ 10 bilhões é o quarto da gestora com foco apenas em infraestrutura. O primeiro, de 2006, deu origem à empresa que depois se tornou a CPFL Renováveis, de geração elétrica. O segundo, de 2011, levantou os recursos que criaram a Hidrovias do Brasil, de logística, e a Highline, de infraestrutura de telecomunicações. O terceiro, captado entre 2014 e 2015, levantou R$ 5,3 bilhões e garantiu a entrada do Pátria no segmento de data center e em concessões de rodovias, setor no qual o grupo se tornou um dos grandes operadores.

Do valor total de R$ 10 bilhões, aproximadamente 40% serão para três projetos: a Essentia Energia, novo braço de geração renovável do Pátria; os investimentos da concessão rodoviária de Piracicaba-Panorama, em São Paulo, conquistada pelo grupo em janeiro deste ano; e o terceiro é uma nova plataforma de infraestrutura para telecomunicações - a nova marca será lançada em breve, diz Castello Branco. O Pátria estuda a concessão da Ferrogrão, uma megaferrovia que demandará mais de R$ 8 bilhões de investimentos, ligando o Mato Grosso aos portos do Arco Norte. “É um projeto grande, importante. Ainda há muitas definições a serem feitas, temas complexos, mas é um setor que está no nosso escopo e estamos olhando”, afirma.