18/03/2019
CONSTRUÇÃO CIVIL

Projeto do IPT com PEAD reciclado

Quatro laboratórios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em parceria com a Tigre-ADS desenvolveram documento que serviu de referência técnica para a Diretriz Sinat n°13, que inclui requisitos, critérios de desempenho e métodos de avaliação técnica para um polietileno de alta densidade reciclado, proveniente de resíduos pós-indústria e pós-consumo, em tubulações corrugadas para a drenagem de águas pluviais.  
 
O Sistema Nacional de Avaliação Técnica (Sinat) é um dos projetos do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), integrado à Secretaria Nacional da Habitação do Ministério das Cidades. O escopo do Sinat engloba a harmonização de procedimentos para a avaliação de novos produtos para a construção. O documento é referência técnica que determina procedimentos para avaliação de produtos inovadores (que ainda não possuem normas brasileiras), incluindo requisitos e critérios de desempenho, bem como métodos de avaliação técnica. As normas técnicas brasileiras de tubos plásticos permitem apenas a utilização de resina virgem e material reprocessado originado de processo próprio de produção. 
 
A elaboração de uma diretriz no âmbito do Sinat tem justamente o objetivo de avaliar o produto, que é inovador na cadeia nacional, já que não existem normas técnicas prescritivas específicas aplicáveis a ele. “O uso de polietileno reciclado em tubulações corrugadas já é uma realidade para a empresa ADS, que produz estes tubos nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, existe uma desconfiança no uso de material reciclado na construção civil, por conta de experiências anteriores que foram mal conduzidas”, explica Simone Nakamoto, pesquisadora do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do IPT. “Esse estudo quebra paradigmas, pois estabelece no Brasil parâmetros de matéria-prima, qualidade, resistência, desempenho e instalação de um produto de construção civil com percentagem de material reciclado”, completa Daniel Setrak, responsável pelo laboratório.
 
O estudo durou um ano e incluiu pesquisas e visitas técnicas, além da realização de diversos ensaios em amostras produzidas com diferentes percentagens de polietileno reciclado. O projeto envolveu também o Laboratório de Componentes e Sistemas Construtivos, o Laboratório de Análises Químicas e o Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas
 
A diretriz Sinat n°13 prevê, inicialmente, a utilização de tubos produzidos com polietileno reciclado apenas em empreendimentos privados. As empresas interessadas em fabricá-los devem passar por auditorias que garantam sua capacidade e conformidade de produção, além de submeter seus produtos aos ensaios estabelecidos na diretriz. “O processo é rigoroso porque se trata de um produto inovador, que precisa comprovar sua qualidade e confiabilidade no setor. No IPT, vários laboratórios trabalham com esse processo de inclusão de produtos e sistemas inovadores na construção civil. Especialmente nesse caso, embora a matéria-prima reciclada seja mais barata, a produção exige mais engenharia, o que explica o acompanhamento do processo produtivo e o rigor das especificações”, completa Setrak.

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