23/11/2020
SABESP

Usina de reciclagem para produzir asfalto

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) assinou contrato para a construção de uma usina de reciclagem para produção de base asfáltica a partir de resíduos de obras de saneamento. A expectativa é que a nova solução sustentável melhore a qualidade da reposição do pavimento nos serviços da Companhia em vias públicas, além de reduzir o descarte de resíduos sólidos em aterros. A iniciativa atende à estratégia da Sabesp de adotar o conceito inovador de economia circular, que foca na otimização e no reaproveitamento de materiais, reduzindo custos e beneficiando o meio ambiente. 

A usina de reciclagem foi contratada por meio de licitação, vencida pelo consórcio Reintegrar, formado pelas empresas Fremix e Soebe. Serão investidos no projeto R$ 29,6 milhões em 30 meses. “Hoje estamos colhendo muitos frutos plantados, transformando o que estava na prancheta em realidade, um trabalho sério e dedicado para implementar a boa utilização dos recursos”, afirmou o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido. 

Segundo o diretor-presidente da Sabesp, Benedito Braga, a nova usina se encaixa na busca constante da Companhia pela inovação. “A Sabesp procura o desenvolvimento, a inovação, a economia circular, o uso das boas práticas. Estamos sempre na fronteira tecnológica, com exemplos no tratamento de água ou na transformação de lodo em energia. E agora estamos fazendo uma usina de reciclagem de asfalto”, disse.

O asfalto espumado é o que será produzido, material obtido a partir da técnica que utiliza injeção de ar e de água sob pressão no cimento asfáltico aquecido e que, além de mais sustentável, tem maior capacidade para suportar o tráfego de veículos. A recomposição da via com o asfalto espumado dá mais flexibilidade ao pavimento, reduz os riscos de surgimento de trincas e possibilita a liberação imediata para o tráfego. 

O asfalto espumado será produzido com as sobras (pedaços de asfalto, concreto, sarjeta, por exemplo) das obras da Sabesp, como as de implantação de redes de água e esgoto e as do Novo Rio Pinheiros, programa de saneamento na bacia para despoluir o rio até 2022 – o projeto também utilizará o novo asfalto. “Será reaproveitado um material nobre, mas que, se não tomarmos cuidado, vira lixo, um problema para a sociedade. Com isso ganhamos em várias frentes: não depositando um material que tem valor energético excelente, dando exemplo para a população de que os resíduos devem ser reciclados e, além de tudo, fazendo algo de maior tecnologia do que o existente, ou seja, gerando uma melhoria das condições. Isso vai gerar maior satisfação na população”, explicou, durante o evento, a diretora da Escola Politécnica da USP, Liedi Bernucci.

A usina de reciclagem da Sabesp terá capacidade para produzir até 1 milhão de m² de reposição asfáltica por ano, o que equivale a 14 vezes a área das pistas da avenida Paulista. Com a reciclagem das sobras de obras, a Sabesp deixará de descartar ao ano 150 toneladas de material nos aterros sanitários (ou 8.000 caminhões cheios), o que atende às diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A companhia vai reduzir também em até 80% a compra de brita, gerando menos impacto ambiental. 

Pelo contrato, o consórcio, além de implantar e operar a usina de reciclagem, desenvolverá estudos e soluções tecnológicas para os problemas enfrentados nas reposições asfálticas dos pavimentos, com a participação de profissionais da Sabesp e da Prefeitura de São Paulo e da Escola Politécnica. A usina de reciclagem da Sabesp será implantada em até três meses. A Companhia está investindo R$ 100 milhões no recapeamento de 400 mil m² de vias na capital e, para aprimorar os serviços, vem utilizado novas tecnologias de ponta, como caminhões térmicos para transporte de massa asfáltica e equipamentos para medir a compactação do solo e a qualidade do asfalto.

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